A primavera chegou em todo o seu esplendor e entrou, radiante, na nossa Biblioteca. E fez-se poesia! Num só dia, o 21, comemorou-se a poesia, a criatividade e a natureza. Extraordinariamente, juntaram-se três fatores que caminham juntos no mundo da arte. Como sempre, a Biblioteca abriu-lhes as portas e serviu de cenário a uma manhã inesquecível para todos os alunos e professores envolvidos nas comemorações. Num jardim carinhosamente preparado, ouviram-se poemas de encantar, sendo a natureza o tema escolhido. Neste cenário idílico, outros criadores tiveram destaque e mais uma vez a natureza esteve presente nos poemas desenhados pelos artistas plásticos que abundam na nossa escola. E como a natureza não tem barreiras linguísticas, os professores das diferentes línguas (Francês, Inglês e Espanhol) declamaram poemas que maravilharam os ouvidos atentos dos seus alunos. Muitos parabéns a todos e que o nosso Clube de Lei
Maria Vera Roque nasceu em Agosto de 1973, no Fundão. Desde tenra idade sempre mostrou o seu gosto por histórias e pela escrita.Passou a infância na terra que a viu nascer,Valverde. Recorda como passou a sua adolescência e juventude, com satisfação, demonstrando sempre um carácter afável e humilde, com espírito rebelde.Licenciou-se em Relações Públicas; pelo Instituto Superior de Administração, Comunicação e Empresa, na Guarda.É funcionária da Câmara Municipal do Fundão desde 2002, onde esteve sempre ligada às áreas do Turismo, Educação e Cultura.Dedica-se há cerca de 5 anos à escrita, projecto que abraça com verdadeira integridade.
Num dia dedicado à poesia que, felizmente, nos ilumina todos os dias, destacamos um poeta brasileiro menos conhecido... MANOEL DE BARROS botemos verso...
O Poeta
Vão dizer que não existo propriamente dito.
Que sou ente de sílabas.
Vão dizer que eu tenho vocação pra ninguém.
Meu pai costumava me alertar:
Quem acha bonito e pode passar a vida a ouvir o som
das palavras
Ou é ninguém ou zoró.
Eu teria treze anos.
De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que
se perdia nos longes da Bolívia
E veio uma iluminura em mim.
Foi a primeira iluminura.
Daí botei o meu primeiro verso:
Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem.
Mostrei a obra pra minha mãe.
A mãe falou:
Agora você vai ter que assumir as suas
irresponsabilidades.
Eu assumi: entrei no mundo das imagens.
Manoel de Barros, O Encantador de Palavras.
Poeta, s.m. e f.
Indivíduo que enxerga semente germinar e engole céu
Espécie de um vazadouro para contradições
Sabiá com trevas
Sujeito inviável: aberto aos desentendimentos como
um rosto
Fernando Assis Pacheco nasceu em Coimbra em 1 de Fevereiro de 1937 e veio a falecer em Lisboa, na Livraria Buchholz ao início da manhã do dia 30 de Novembro de 1995. Tinha 58 anos. Foi poeta e cronista. Numa entrevista dada em 1978 apresentou-se assim:
"Sou o Fernando Assis Pacheco, 41 anos, um pasmado sem cura. Tudo me
espanta, gramo a vida, quero morrer mais lá para o verão". Aqui fica um poema para abrir o apetite...
Poeta, autor dramático, ficcionista, crítico, ensaísta, tradutor e artista
Plástico português, nasceu a 9 de agosto
de 1923, em Lisboa, e morreu a 26 de novembro de 2006, também naquela cidade.
Depois
de ter estudado no Liceu Gil Vicente, entrou para Arquitetura da Escola
Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou o primeiro ano, e mudou
depois para a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Depois de ter
frequentado esta escola, prosseguiu estudos de belas-artes em Paris, tendo,
ainda, estudado música com o compositor Fernando Lopes Graça.
Figura maior do
surrealismo português, a influência que viria a exercer sobre as gerações
poéticas reveladas nas décadas posteriores aos anos 50, período durante o qual
publicou alguns dos seus títulos mais significativos, ainda não foi
suficientemente avaliada. Promoveu a técnica conhecida por "cadáver
esquisito", que consistia na elaboração de uma obra por um grupo de
pessoas, num processo em cadeia criativa, na qual cada uma dava seguimento à
criatividade da anterior, resultando numa espécie de colagem de palavras, a
partir apenas de um acordo inicial quanto à estrutura frásica.
Colaborou
em várias publicações periódicas comoJornal
de Letras e ArteseCadernos do Meio-Dia,entre
outras. Começou por se interessar pelo movimento neorrealista - ainda que essa
breve incursão não tenha ultrapassado mais que uma postura irónica e paródica,
firmada em Nicolau Cansado Escritor- para, em 1947,
regressado de Paris, onde frequentou a Academia de La Grande Chaumière e onde
conheceu André Breton, fundar o movimento surrealista português.
A
sua postura polémica na defesa de um surrealismo autêntico levou-o, porém, a
deixar o grupo no ano seguinte, para criar, com Pedro Oom e António Maria
Lisboa, o grupo surrealista dissidente.
Como
um dos principais críticos e teóricos do movimento surrealista, manteve ao
longo da sua carreira inúmeras polémicas literárias, quer contra os detratores
do surrealismo quer contra os que, na prática literária, o desvirtuavam.
A
sua obra poética começou por refletir, emCorpo
VisívelouDiscurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano, o gosto pela observação irónica da realidade urbana
que, fazendo-se eco de Cesário Verde, constitui ainda uma fase pouco
significativa relativamente a volumes próximos da prática surrealista comoManual
de Prestidigitação. Aí, a mordacidade e o absurdo, o
recurso ao insólito, aliados a uma discursividade que raramente envereda por umnonsenseradical,
como ocorre na obra de António Maria Lisboa, permitem estabelecer, como nenhum
outro autor da década de 50, um ponto de equilíbrio entre o primeiro modernismo
e a revolução surrealista.
No
domínio do teatro, emUm Auto Para Jerusalém, pastiche de um conto de Luís Pacheco, revela a
influência de Pirandello ou da prática teatral de Alfred Jarry. No fim da
década de 60 e início de 70, Mário de Cesariny encetou um trabalho de reposição
da verdade histórica do movimento surrealista, coligindo os seus manifestos,
editando a obra poética inédita de alguns dos seus representantes, e dando ao
prelo textos seus datados do período de maior envolvimento com a teoria e
prática do surrealismo, como19 Projetos de Prémio Aldonso Ortigão seguidos de
Poemas de Londres(1971), ouPrimavera
Autónoma das Estradas(1980) ou o romanceTitânia(1977).
Recebeu
o Grande Prémio EDP de Artes Plásticas 2002, e, em 2005, a Grã-Cruz da Ordem da
Liberdade, entregue pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio. Em
novembro desse mesmo ano, seria ainda galardoado com o Grande Prémio Vida
Literária, numa homenagem à sua notável contribuição para a literatura
portuguesa.
Mário Cesariny de Vasconcelos. InInfopédia, Porto:
Porto Editora, 2003-2011. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$mario-cesariny-de-vasconcelos>.
Ontem, 31 de outubro, celebrou-se o 109º ano sobre o nascimento de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. A data foi assinalada pela Casa Fernando Pessoa com o "Dia D", dia inteiramente dedicado ao escritor, numa associação com o Instituto Moreira Salles, do Brasil que lançou a iniciativa. As comemorações terminaram com a projeção do documentário "Consideração do Poema" que estabelece um
panorama sobre a obra de Drummond de Andrade, a partir de leituras feitas por
figuras da cultura brasileira, como o escritor e compositor Chico Buarque, os
músicos Caetano Veloso e Adriana Calcanhotto, as atrizes Fernanda Torres e
Marília Pera, o filósofo e poeta Antonio Cícero e o escritor Milton Hatoum.
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
(Carlos Drummond de Andrade)
E nestes tempos difíceis, deixamos aqui o "Segredo da felicidade" de Carlos Drummond de Andrade.
Desejo a você... Fruto do mato Cheiro de jardim Namoro no portão Domingo sem chuva Segunda sem mau humor Sábado com seu amor Filme do Carlitos Chope com amigos Crônica de Rubem Braga Viver sem inimigos Filme antigo na TV Ter uma pessoa especial E que ela goste de você Música de Tom com letra de Chico Frango caipira em pensão do interior Ouvir uma palavra amável Ter uma surpresa agradável Ver a Banda passar Noite de lua Cheia Rever uma velha amizade Ter fé em Deus Não Ter que ouvir a palavra não Nem nunca, nem jamais e adeus. Rir como criança Ouvir canto de passarinho Sarar de resfriado Escrever um poema de Amor Que nunca será rasgado Formar um par ideal Tomar banho de cachoeira Pegar um bronzeado legal Aprender um nova canção Esperar alguém na estação Queijo com goiabada Pôr-do-Sol na roça Uma festa Um violão Uma seresta Recordar um amor antigo Ter um ombro sempre amigo Bater palmas de alegria Uma tarde amena Calçar um velho chinelo Sentar numa velha poltrona Tocar violão para alguém Ouvir a chuva no telhado Vinho branco Bolero de Ravel E o carinho meu.