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terça-feira, 27 de março de 2018

Dia da poesia, da criatividade artística e da árvore

A primavera chegou em todo o seu esplendor e entrou, radiante, na nossa Biblioteca. E fez-se poesia!
Num só dia, o 21, comemorou-se a poesia, a criatividade e a natureza. Extraordinariamente, juntaram-se três fatores que caminham juntos no mundo da arte. Como sempre, a Biblioteca abriu-lhes as portas e serviu de cenário a uma manhã inesquecível para todos os alunos e professores envolvidos nas comemorações. Num jardim carinhosamente preparado, ouviram-se poemas de encantar, sendo a natureza o tema escolhido. Neste cenário idí­lico, outros criadores tiveram destaque e mais uma vez a natureza esteve presente nos poemas desenhados pelos artistas plásticos que abundam na nossa escola.
E como a natureza não tem barreiras linguísticas, os professores das diferentes lí­nguas (Francês, Inglês e Espanhol) declamaram poemas que maravilharam os ouvidos atentos dos seus alunos.
Muitos parabéns a todos e que o nosso Clube de Lei










tura continue a criar bons leitores!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sessão de Poesia na BE - Maria Vera Roque

Maria Vera Roque nasceu em Agosto de 1973, no Fundão. Desde tenra idade sempre mostrou o seu gosto por histórias e pela escrita.Passou a infância na terra que a viu nascer,Valverde. Recorda como passou a sua adolescência e juventude, com satisfação, demonstrando sempre um carácter afável e humilde, com espírito rebelde.Licenciou-se em Relações Públicas; pelo Instituto Superior de Administração, Comunicação e Empresa, na Guarda.É funcionária da Câmara Municipal do Fundão desde 2002, onde esteve sempre ligada às áreas do Turismo, Educação e Cultura.Dedica-se há cerca de 5 anos à escrita, projecto que abraça com verdadeira integridade.
https://www.chiadoeditora.com/autores/maria-vera-roque

quarta-feira, 21 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA POESIA - 21 de MARÇO

 

Num dia dedicado à poesia que, felizmente, nos ilumina todos os dias, destacamos um poeta brasileiro menos conhecido... MANOEL DE BARROS
                  botemos verso...

O Poeta                                                                                                                  
Vão dizer que não existo propriamente dito.
Que sou ente de sílabas.
Vão dizer que eu tenho vocação pra ninguém.
Meu pai costumava me alertar:
Quem acha bonito e pode passar a vida a ouvir o som
das palavras
Ou é ninguém ou zoró.
Eu teria treze anos.
De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que
se perdia nos longes da Bolívia
E veio uma iluminura em mim.
Foi a primeira iluminura.
Daí botei o meu primeiro verso:
Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem.
Mostrei a obra pra minha mãe.
A mãe falou:
Agora você vai ter que assumir as suas
irresponsabilidades.
Eu assumi: entrei no mundo das imagens.

      Manoel de Barros, O Encantador de Palavras.

Poeta, s.m. e f.
Indivíduo que enxerga semente germinar e engole céu
Espécie de um vazadouro para contradições
Sabiá com trevas
Sujeito inviável: aberto aos desentendimentos como
um rosto

     Manoel de Barros, O Encantador de Palavras.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fernando Assis Pacheco

        Fernando Assis Pacheco nasceu em Coimbra em 1 de Fevereiro de 1937 e veio a falecer em Lisboa, na Livraria Buchholz ao início da manhã do dia 30 de Novembro de 1995. Tinha 58 anos. Foi poeta e cronista. Numa entrevista dada em 1978 apresentou-se assim: "Sou o Fernando Assis Pacheco, 41 anos, um pasmado sem cura. Tudo me espanta, gramo a vida, quero morrer mais lá para o verão". Aqui fica um poema para abrir o apetite...



O Poeta no Supermercado
 I
Indignar-me é o meu signo diário.
Abrir janelas. Caminhar sobre espadas.
Parar a meio de uma página,
erguer-me da cadeira, indignar-me
é o meu signo diário.

Há países em que se espera
que o homem deixe crescer as patas
da frente, e coma erva, e leve
uma canga minhota como os bois.
E há os poetas que perdoam. Desliza
o mundo, sempre estão bem com ele.
Ou não se apercebem: tanta coisa
para olhar em tão pouco tempo,
a vida tão fugaz, e tanta morte...
Mas a comida esbarra contra os dentes,
digo-vos que um dia acabareis tremendo,
teimar, correr, suar, quebrar os vidros
(indignar-me) é o meu signo diário.

II
Um homem tem que viver.
e tu vê lá não te fiques
- um homem tem que viver
com um pé na Primavera.

Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.

Cheio de luz - como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio de miostérios e imprecisões.
Engolirá fogo.

Palavra,
um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.

     

domingo, 27 de novembro de 2011

Mário Cesariny - 09/08/1923 - 26/11/2006


Mário Cesariny de Vasconcelos

Poeta, autor dramático, ficcionista, crítico, ensaísta, tradutor e artista
Plástico português, nasceu a 9 de agosto de 1923, em Lisboa, e morreu a 26 de novembro de 2006, também naquela cidade. 
Depois de ter estudado no Liceu Gil Vicente, entrou para Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou o primeiro ano, e mudou depois para a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Depois de ter frequentado esta escola, prosseguiu estudos de belas-artes em Paris, tendo, ainda, estudado música com o compositor Fernando Lopes Graça. 
Figura maior do surrealismo português, a influência que viria a exercer sobre as gerações poéticas reveladas nas décadas posteriores aos anos 50, período durante o qual publicou alguns dos seus títulos mais significativos, ainda não foi suficientemente avaliada. Promoveu a técnica conhecida por "cadáver esquisito", que consistia na elaboração de uma obra por um grupo de pessoas, num processo em cadeia criativa, na qual cada uma dava seguimento à criatividade da anterior, resultando numa espécie de colagem de palavras, a partir apenas de um acordo inicial quanto à estrutura frásica.
Colaborou em várias publicações periódicas como Jornal de Letras e Artes e Cadernos do Meio-Dia, entre outras. Começou por se interessar pelo movimento neorrealista - ainda que essa breve incursão não tenha ultrapassado mais que uma postura irónica e paródica, firmada em Nicolau Cansado Escritor - para, em 1947, regressado de Paris, onde frequentou a Academia de La Grande Chaumière e onde conheceu André Breton, fundar o movimento surrealista português. 
A sua postura polémica na defesa de um surrealismo autêntico levou-o, porém, a deixar o grupo no ano seguinte, para criar, com Pedro Oom e António Maria Lisboa, o grupo surrealista dissidente. 
Como um dos principais críticos e teóricos do movimento surrealista, manteve ao longo da sua carreira inúmeras polémicas literárias, quer contra os detratores do surrealismo quer contra os que, na prática literária, o desvirtuavam. 
A sua obra poética começou por refletir, em Corpo Visível ou Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano, o gosto pela observação irónica da realidade urbana que, fazendo-se eco de Cesário Verde, constitui ainda uma fase pouco significativa relativamente a volumes próximos da prática surrealista como Manual de Prestidigitação. Aí, a mordacidade e o absurdo, o recurso ao insólito, aliados a uma discursividade que raramente envereda por um nonsense radical, como ocorre na obra de António Maria Lisboa, permitem estabelecer, como nenhum outro autor da década de 50, um ponto de equilíbrio entre o primeiro modernismo e a revolução surrealista. 
No domínio do teatro, em Um Auto Para Jerusalém, pastiche de um conto de Luís Pacheco, revela a influência de Pirandello ou da prática teatral de Alfred Jarry. No fim da década de 60 e início de 70, Mário de Cesariny encetou um trabalho de reposição da verdade histórica do movimento surrealista, coligindo os seus manifestos, editando a obra poética inédita de alguns dos seus representantes, e dando ao prelo textos seus datados do período de maior envolvimento com a teoria e prática do surrealismo, como 19 Projetos de Prémio Aldonso Ortigão seguidos de Poemas de Londres (1971), ou Primavera Autónoma das Estradas (1980) ou o romance Titânia (1977).
Recebeu o Grande Prémio EDP de Artes Plásticas 2002, e, em 2005, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, entregue pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio. Em novembro desse mesmo ano, seria ainda galardoado com o Grande Prémio Vida Literária, numa homenagem à sua notável contribuição para a literatura portuguesa.

Mário Cesariny de Vasconcelos. In Infopédia, Porto: Porto Editora, 2003-2011. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$mario-cesariny-de-vasconcelos>.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

31 de outubro - "Dia D" - Dia Drummond

Ontem, 31 de outubro, celebrou-se o 109º ano sobre o nascimento de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. A data foi assinalada pela Casa Fernando Pessoa com o "Dia D", dia inteiramente dedicado ao escritor, numa associação com o Instituto Moreira Salles, do Brasil que lançou a iniciativa. As comemorações terminaram com a projeção do documentário "Consideração do Poema" que estabelece um panorama sobre a obra de Drummond de Andrade, a partir de leituras feitas por figuras da cultura brasileira, como o escritor e compositor Chico Buarque, os músicos Caetano Veloso e Adriana Calcanhotto, as atrizes Fernanda Torres e Marília Pera, o filósofo e poeta Antonio Cícero e o escritor Milton Hatoum.

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
(Carlos Drummond de Andrade)

E nestes tempos difíceis, deixamos aqui o "Segredo da felicidade" de Carlos Drummond de Andrade.

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E o carinho meu.